Os agonistas de receptores do GLP-1, mais conhecidos como as “canetas de emagrecimento”, são medicamentos que apresentam um papel crescente e promissor no tratamento da obesidade1.
A sua eficácia no emagrecimento é um assunto bem documentado no mundo científico, assim como os desafios e cuidados nutricionais necessários durante o tratamento2.
Neste contexto, as proteínas são fundamentais para garantir um emagrecimento saudável e sustentável. De acordo com um estudo científico recente publicado por Al-Badri e seus colaboradores3, o consumo adequado de proteínas é fundamental durante o tratamento com GLP-1 e ajuda a minimizar a perda de massa muscular durante o processo.
Saiba mais sobre todos os benefícios da proteína durante o uso de medicamentos antiobesidade nesta matéria!
Estudos indicam que o consumo de proteínas durante o tratamento com GLP-1 costuma ser insuficiente4. Por que será que isto acontece?
Este fato se justifica devido à importante redução do apetite e aos sintomas desagradáveis que podem surgir com o uso do medicamento, os quais impactam diretamente na quantidade de alimentos consumidos2.
Além disso, o tratamento também pode influenciar as escolhas alimentares e a qualidade dos alimentos consumidos. Estudos mostram que o uso de agonistas do GLP-1 tem sido associado a uma redução no consumo de carnes e, consequentemente, à redução da ingestão de proteínas2.
A proteína é um nutriente essencial para a saúde, manutenção do corpo e preservação da massa magra. Por isso, um consumo insuficiente deste nutriente pode levar à perda importante de massa muscular, fraqueza, perda de cabelo e edema (inchaço)5.
Veja a seguir os principais motivos pelos quais as proteínas são importantes durante o uso de GLP-1:
1. Preservação de massa muscular
Estudos recentes destacam que o tratamento com medicamentos antiobesidade leva a uma importante perda de massa muscular (20 a 50%), demonstrando a importância da nutrição e de um consumo adequado de proteínas nesta fase6,7.
O prejuízo à massa muscular acontece principalmente quando não há cuidado com a nutrição e prática de exercícios durante o tratamento. Por outro lado, quando a ingestão de proteínas é adequada e há prática de exercícios de resistência, pode haver redução significativa da perda muscular7.
2. Metabolismo e recuperação
Preservar a massa muscular durante o processo de emagrecimento é um objetivo de extrema relevância. Pouca massa muscular reduz o metabolismo basal, o que pode facilitar o ganho de peso posteriormente8.
3. Apoio à saciedade
As proteínas promovem saciedade e favorecem o processo de emagrecimento sustentado, durante e após o final do tratamento9.
Garantir um consumo adequado de proteínas no dia a dia é um dos pilares nutricionais durante o tratamento com agonistas do GLP-110.
Para adultos saudáveis, a recomendação de ingestão de proteínas é de 0,8 gramas por kg de peso corporal por dia. Por outro lado, para quem faz o tratamento com GLP-1, a recomendação é superior2:
• Adultos: 1,0 a 1,5 gramas de proteína por kg de peso corporal por dia;
• Idosos (>65 anos) e pessoas com múltiplas comorbidades: 1,2 a 1,5 gramas de proteína por kg de peso corporal por dia.
A necessidade proteica vai variar de acordo com o peso e características individuais de cada pessoa. Por isso, é importante ter um acompanhamento e avaliação profissional neste momento para que as condutas e planejamento nutricional sejam individualizados.
Tendo em vista este cenário, é essencial atentar ao consumo de alimentos fontes de proteína de boa qualidade na dieta diariamente.
Entre os principais alimentos fontes de proteína, vale a pena priorizar na rotina5:
- Carnes magras;
- Leguminosas (feijões, ervilha, soja, lentilha, grão de bico);
- Laticínios reduzidos em gordura (versões desnatadas);
- Oleaginosas (castanhas, amendoim, amêndoas, nozes);
- Ovos.
Durante o tratamento com GLP-1, principalmente quando o apetite estiver significativamente reduzido, os suplementos alimentares podem ser usados para ajudar a atender às necessidades nutricionais5.
Assim, quando há dificuldade para consumir uma quantidade adequada de proteínas na alimentação, os suplementos proteicos são recomendados, especialmente os que contém de 15 a 25 gramas de proteína por porção5.
Neste sentido, um suplemento proteico pronto para beber pode garantir praticidade para o dia a dia, além de controlar a porção consumida na medida certa, ficando mais fácil bater a meta diária de proteínas.
Considerando que os músculos são essenciais para manter o metabolismo ativo e para a saúde a longo prazo, o consumo suficiente de proteínas no tratamento com GLP-1 é uma estratégia fundamental para resultados sustentáveis.
Garantir uma boa reserva muscular, além de promover um bom funcionamento do metabolismo, também previne a sarcopenia. Essa é uma condição caracterizada pela perda acelerada de massa muscular e que pode comprometer até mesmo a realização de tarefas básicas do dia a dia11.
• Quem usa GLP-1 pode tomar whey protein?
Com certeza! O whey protein é uma proteína de alta qualidade nutricional, fácil digestão e ajuda a garantir um consumo adequado de proteínas de forma prática.
• Quem usa GLP-1 precisa aumentar o consumo de proteína?
Sim. De acordo com as evidências atuais, a recomendação de proteínas para quem usa GLP-1 é maior do que para quem não faz o uso deste medicamento.
• A proteína ajuda na saciedade durante o uso de GLP-1?
Sim, a proteína promove saciedade durante o tratamento e auxilia no emagrecimento.
• Qual a quantidade ideal de proteína durante o uso de GLP-1?
A recomendação de proteínas durante o tratamento com GLP-1 é de 1,0 a 1,5 gramas de proteína/kg/dia.
Proteína, GLP-1 e acompanhamento profissional
Tendo em vista a importância das proteínas durante o tratamento com os agonistas de GLP-1, os prejuízos do consumo insuficiente e os desafios que impedem que uma quantidade adequada deste nutriente seja consumida, o acompanhamento profissional nesta jornada se faz essencial.
Um profissional habilitado é capaz de organizar e planejar o dia alimentar, garantindo melhores escolhas alimentares. Além disso, leva em consideração os hábitos e características individuais de cada pessoa, indicando as melhores estratégias.
A prescrição de bebidas ou suplementos proteicos como alternativas práticas para garantir um consumo adequado de proteínas também pode ser feita, sempre de acordo com as necessidades de cada um.
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