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Alimentos ricos em fibras: o que são, para que servem e como incluir na rotina

Alimentação
  • 5 min de leitura
Alimentos ricos em fibras: o que são, para que servem e como incluir na rotina
As fibras têm grande destaque quando se fala em alimentação saudável. Descubra quais seus benefícios para a saúde, onde encontrá-las e dicas simples para incluí-las no dia a dia.

Quando o assunto é alimentação equilibrada, o consumo de fibras logo aparece em destaque.

Embora sejam mais conhecidas por sua relação com a saúde intestinal, elas também têm sido associadas a outros benefícios importantes para a saúde geral, como a maior saciedade, auxílio no controle do peso, regulação da glicemia e menor risco de desenvolvimento de doenças crônicas1,2.

Apesar dessa importância, o consumo de fibras do brasileiro está longe do ideal: estima-se que mais de 80% dos adultos brasileiros tenham uma ingestão diária abaixo da recomendada3!

Por isso, entender mais sobre as fibras e conhecer estratégias simples para incluí-las na rotina é fundamental para conseguir atingir a ingestão adequada e aproveitar seus efeitos positivos no organismo.

O que são as fibras alimentares?

Fibras alimentares são substâncias constituídas por polímeros (cadeias longas) de carboidratos resistentes à ação das enzimas digestivas1,4. Elas estão presentes principalmente em alimentos de origem vegetal, como frutas, hortaliças, leguminosas, cereais e tubérculos1,4,5. 

A classificação mais conhecida das fibras é definida por sua solubilidade: 

  • fibras solúveis: se dissolvem em água e podem apresentar viscosidade, formando géis. Não são digeridas, mas podem ser fermentadas pelos microrganismos da flora intestinal. Estão presentes em cereais, frutas, tubérculos e leguminosas1,4,6;

  • fibras insolúveis: não se dissolvem em água, possuem baixa viscosidade e menor capacidade de fermentação. Contribuem para a motilidade, bom funcionamento do intestino e são encontradas em grãos integrais, sementes, frutas e hortaliças1,4,6; 

  • amido resistente: esse tipo de amido é considerado uma fibra por ser resistente à digestão. Embora muitas vezes seja classificado como fibra insolúvel, contém subcategorias com variados níveis de solubilidade e fermentabilidade, promovendo efeitos diversos na saciedade, no funcionamento intestinal e na glicemia4,7. É encontrado em alimentos como a banana verde, batata e milho, alguns alimentos que passaram por cocção, como pães, flocos de milho, além de grãos e sementes triturados4,7. 

É importante destacar que cada fibra possui características próprias, com níveis variados de solubilidade, viscosidade e fermentabilidade. Dessa forma, algumas fibras solúveis têm menor propriedade de formar géis, enquanto algumas outras podem ser fermentáveis2,4,6. Por isso, manter uma alimentação variada é ponto-chave para obter os efeitos benéficos distintos de cada tipo de fibras.

Para que servem as fibras na alimentação?

Como dissemos anteriormente, as fibras têm muito destaque quando o assunto é alimentação equilibrada, pois promovem uma série de benefícios para a saúde. Vamos falar um pouco sobre eles! 

 

Funcionamento intestinal 

O consumo de fibras realmente ajuda no funcionamento do intestino? A resposta é sim!

Elas previnem a constipação intestinal através de mecanismos combinados1,4,8: 

  1. fibras insolúveis e fermentáveis possuem a capacidade de aumentar o bolo fecal, estimulando a motilidade do intestino; 

  1. fibras com efeito de viscosidade absorvem a água do bolo digestivo e formam géis, facilitando trânsito intestinal; 

Além de consumir fibras variadas, o consumo adequado de água é fundamental para garantir que esses mecanismos funcionem da melhor maneira. Do contrário, o conteúdo intestinal pode ficar ressecado e mais difícil de ser eliminado, favorecendo a constipação9. 

 

Saciedade e regulação do peso corporal 

A presença de fibras influencia a sensação de saciedade após as refeições e pode contribuir para um melhor gerenciamento da alimentação ao longo do dia. Como isso acontece? 

As fibras retardam o esvaziamento gástrico, influenciam a maior liberação de hormônios relacionados à saciedade, ajudando a prolongar a sensação de satisfação após as refeições. 4,6,10. Com isso, a refeição tende a gerar maior satisfação e uma sensação de saciedade que pode se estender até a refeição seguinte, resultando em um menor consumo de alimentos e, por consequência, de calorias4,11.  

Assim, o consumo de fibras ajuda na regulação do apetite e na quantidade de alimentos consumidos, contribuindo para um melhor gerenciamento do peso6.

 

Prevenção de doenças crônicas 

O consumo adequado de fibras está relacionado a um menor risco de desenvolvimento de diabetes e a um melhor controle de glicemia de indivíduos diabéticos8,12. A digestão mais lenta e a menor velocidade de esvaziamento gástrico proporcionadas pela presença de fibras reduzem a velocidade com a qual a glicose é absorvida e liberada na corrente sanguínea, evitando picos de glicêmicos4,8. 

As fibras também reduzem a absorção de colesterol no intestino e atuam na redução do colesterol circulante1,4,6,11. Durante a digestão, elas se ligam ao colesterol presente nos alimentos, facilitando sua eliminação e fazendo com que o organismo utilize o colesterol do sangue para a produção de sais biliares4,10. 

Referências Bibliográficas

[1] Bernaud FSR, Rodrigues TC. Fibra alimentar: ingestão adequada e efeitos sobre a saúde do metabolismo. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia. 2013 Aug;57(6):397–405. 

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[5] World Health Organization. Carbohydrate intake for adults and children: WHO guideline. Summary. World Health Organization; 2023. 

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[8] Nitzke D, Czermainski J, Rosa C, Coghetto C, Fernandes SA, Carteri RB. Increasing dietary fiber intake for type 2 diabetes mellitus management: A systematic review. World journal of diabetes. 2024 May 15;15(5):1001–10. 

[9] McRorie JW, McKeown NM. Understanding the Physics of Functional Fibers in the Gastrointestinal Tract: An Evidence-Based Approach to Resolving Enduring Misconceptions about Insoluble and Soluble Fiber. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics. 2017 Feb;117(2):251–64.  

[10] Rached FH, Miname M, Rocha V, Zimerman A, Henpin F, Cesena Y, et al. Diretrizes Coordenadora geral: Fabiana Hanna Rached. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):20250640. 

[11] Soliman GA. Dietary Fiber, Atherosclerosis, and Cardiovascular Disease. Nutrients. 2019 May 23;11(5):1155. 

[12] Ramos S, Campos LF, Baptista DR, Strufaldi M, Gomes DL, Guimarães DB, et al. Terapia Nutricional no Pré-Diabetes e no Diabetes Mellitus Tipo 2. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes. 2023; 

[13] Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária.  INSTRUÇÃO NORMATIVA – IN Nº 75, DE 8 DE OUTUBRO DE 2020. Estabelece os requisitos técnicos para declaração da rotulagem nutricional nos alimentos embalados. Diário Oficial da União, 9 de outubro de 2020. 

[14] Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA). São Paulo: Universidade de São Paulo, Food Research Center; 2024. Disponível em: https://www.tbca.net.br/ 

[15] McKeown NM, Fahey GC, Slavin J, van der Kamp JW. Fibre Intake for Optimal health: How Can Healthcare Professionals Support People to Reach Dietary recommendations? BMJ. 2022 Jul 20;378:e054370.  

[16] Kreider RB, Wilborn CD, Taylor L, Campbell B, Almada AL, Collins R, et al. ISSN exercise & sport nutrition review: research & recommendations. Journal of the International Society of Sports Nutrition. 2010 Feb 2;7(1). 

[17] Hosseininasab D, Pal S, Emerson SR, Rhudy JL, Richards J, Lucas E, et al. Gastrointestinal-related side effects are key barriers to dietary fiber intake. Nutrition and Health. 2025 Jun 24;