Voltar para página anterior

Flexibilidade: o que é e como melhorar no dia a dia

Flexibilidade: o que é e como melhorar no dia a dia
Entenda mais sobre a flexibilidade e seus benefícios para o corpo e para o treino

A flexibilidade é um pilar importante para a qualidade de vida, influenciando diretamente na mobilidade e postura, impactando na execução de diversas atividades diárias e complementando a prática de exercícios físicos1.  

Quando pensamos nela, a primeira imagem que vem à mente costuma ser a de alguém fazendo um alongamento difícil, cheio de posições complexas. No entanto, na prática, alcançar um corpo mais flexível pode começar com movimentos simples, acessíveis e adaptados para a rotina e particularidades de cada pessoa.  

Para quem busca aprimorar a flexibilidade, melhorar a execução de movimentos e manter a constância da prática de alongamentos na rotina, compreender o próprio corpo e respeitar os próprios limites é o primeiro passo.  

A seguir, vamos desmistificar a flexibilidade, entender seus benefícios e apresentar dicas práticas para o desenvolvimento da flexibilidade de forma segura e progressiva!

O que é flexibilidade?

Em termos gerais, a flexibilidade é a capacidade de realizar movimentos com uma boa amplitude articular1. Ela não depende apenas dos músculos, mas sim de uma sinergia composta por mobilidade e elasticidade adequada dos tecidos moles que circundam a articulação (músculos, tecido conectivo e pele)1. 

 Quais são os principais benefícios da flexibilidade? 

  • Melhor amplitude de movimento: exercícios de alongamento aumentam sua flexibilidade e permitem uma melhor amplitude de movimento, favorecendo o movimento e a prática das atividades diárias1,2. 

  • Menor rigidez muscular: trabalhar a flexibilidade ajuda a aliviar aquela sensação de corpo "travado" ou tenso, comum após dias intensos de treino ou trabalho1. 

  • Mais conforto na rotina diária: maior mobilidade em atividades simples, como amarrar os sapatos, pegar algo no chão ou sentar-se confortavelmente1.  

  • Menor risco de lesões: uma boa flexibilidade permite maior mobilidade no esporte, aumentando a qualidade e quantidade de movimentos e menor risco de lesões1,2. 

  • Apoio à postura e ao controle corporal: a flexibilidade está diretamente relacionada à postura corporal, consequentemente, uma boa flexibilidade te possibilita melhora da postura corporal1. 

 Vale lembrar também que, embora uma boa flexibilidade ajude na saúde das articulações e a mecânica corporal, ela não deve ser vista como uma garantia contra lesões, que podem acontecer por múltiplos fatores.

Mobilidade, flexibilidade e alongamento: qual é a diferença?

A confusão entre mobilidade, flexibilidade e alongamento é muito comum. Vamos entender as principais diferenças!

A mobilidade diz respeito à capacidade de movimentar uma ou mais articulações2. A flexibilidade, por sua vez, é a capacidade de realizar movimentos em certas articulações com amplitude de movimento adequada2.  

Por fim, o alongamento é um conjunto de exercícios que envolvem a aplicação de uma força para superar a resistência do tecido sobre a articulação e aumentar a amplitude do movimento, com o objetivo de fazer a manutenção dos níveis de flexibilidade2. Pode-se dizer que a flexibilidade é a capacidade física em si, enquanto o alongamento é a prática ou o método que utilizamos para desenvolvê-la. 

O que pode reduzir a flexibilidade ao longo do tempo? 

Vários fatores podem agir diminuindo a flexibilidade, veja a seguir alguns deles: 

  • Sedentarismo:  a prática regular de atividade física está associada a melhores níveis de flexibilidade3, especialmente quando há a prática de atividades que exigem amplitude de movimento.  

  • Excesso de peso: o excesso de tecido adiposo próximo das articulações limita o movimento, contribuindo para diminuição da flexibilidade3. 

  • Idade: o processo de envelhecimento gera perda de flexibilidade, pois ocorrem alterações bioquímicas e mecânicas na musculatura, prejudicando a amplitude de movimento e reduzindo a flexibilidade4. 

Quais exercícios ajudam a melhorar a flexibilidade?

Para melhorar a flexibilidade, você pode incluir movimentos simples na sua rotina. A seguir, trazemos algumas sugestões de movimentos para exercitar a flexibilidade. Cada um dos exercícios a seguir deve ser realizado por cerca de 20 a 30 segundos5, respeitando sempre seus limites e capacidades corporais. Na dúvida, consulte um profissional de saúde! 

  

  1. Alongamentos para posterior de coxa

Puxe a parte superior do pé para trás, como se estivesse tentando encostar o calcanhar na nádega, e estenda o quadril o máximo possível. Em seguida, repita o exercício com a outra perna5,6.  

  1. Alongamentos para quadril 

Em pé, levante um joelho e desenhe um círculo completo no ar com a articulação do quadril, movendo a perna para a frente, para o lado e para trás. Em seguida, repita o exercício com a outra perna5,6.  

  1. Alongamentos para panturrilhas 

Coloque um membro inferior à frente próximo a uma parede. Mantenha o membro inferior oposto estirado, com o apoio total do pé no chão5,6. 

  1. Exercícios para ombros e peitoral 

Em pé ou sentado, mantendo a coluna reta e o olhar fixo para frente, leve os braços para trás e entrelace os dedos. Gire as palmas das mãos para dentro e empurre os braços para trás e para cima, abrindo bem o peito e aproximando as escápulas5,6.  

  1. Movimentos para coluna torácica 

Flexione o tronco e tente tocar nos pés5,6. Em seguida, retorne o tronco a posição inicial, mantenha os pés afastados na largura dos ombros e os joelhos levemente flexionados. Coloque as mãos nos quadris ou deixe os braços soltos e relaxados. Gire o tronco lentamente para a direita e, em seguida, para a esquerda, permitindo que o quadril acompanhe o movimento e o calcanhar saia do chão do lado para onde você está girando5,6.

Qual é a frequência ideal para treinar flexibilidade? 

Para alcançar uma boa flexibilidade, é importante que haja repetição dos alongamentos ao longo da semana7. Se possível, realize sessões curtas diariamente ou em dias alternados, como pequenos blocos de alongamento na sua rotina7. Lembre-se: a flexibilidade é um trabalho contínuo e progressivo, complementando a prática de exercícios físicos e se conectando com um estilo de vida ativo. 

Por que a flexibilidade é importante para performance e composição corporal? 

Para quem busca hipertrofia ou queima de gordura, a flexibilidade é uma aliada indireta. Exercícios multiarticulares (como agachamento e afundo) exigem grande amplitude; por isso, se você possui uma boa flexibilidade, é possível alcançar maior amplitude do movimento e, consequentemente, uma melhor execução do exercício.  

Isso possibilita um estímulo muscular mais eficiente e os resultados aparecem de forma mais sólida8. Dessa forma, pode-se dizer que a flexibilidade aumenta a qualidade do treino, melhorando a performance7,8.  

O que considerar para melhorar a flexibilidade com constância?

Para obter constância nos exercícios de alongamento e melhorar a sua mobilidade, o foco deve ser na consistência.  

Foque em uma progressão gradual, se desafiando um pouco mais a cada sessão, sempre atento ao seu corpo e seus limites, evitando dores agudas. Busque integrar os exercícios de alongamento com os treinos ou inseri-los em blocos na sua rotina para alcançar sua melhor versão!

Perguntas frequentes sobre flexibilidade 

  • Flexibilidade e alongamento são a mesma coisa? 

Não. A flexibilidade é a capacidade do corpo de alcançar amplitudes de movimento, enquanto o alongamento é o exercício usado para desenvolvê-la. 

  • Como aumentar a flexibilidade? 

Através da prática regular de exercícios de alongamento e realizando treinos de força que utilizem a amplitude total do movimento. 

  • Quanto tempo leva para ganhar flexibilidade? 

Com dedicação regular, pequenas melhoras no conforto e na amplitude podem ser notadas em poucas semanas, mas mudanças profundas exigem meses de constância. 

  • Treinar flexibilidade ajuda no desempenho físico? 

Sim, pois permite executar os exercícios com melhor técnica. 

  • Flexibilidade ajuda a prevenir lesões? 

Ela melhora a mecânica do movimento e a tolerância dos tecidos, embora não evite lesões de forma isolada. 

  • É possível melhorar a flexibilidade em qualquer idade? 

Com certeza. O corpo responde aos estímulos em todas as fases da vida, os exercícios de alongamento podem ser adaptados de acordo com as limitações de cada idade. 

Assim, incluir na rotina exercícios de flexibilidade pode ajudar a construir mais mobilidade nas atividades do dia a dia e na prática de exercícios físicos. 

Tenha sempre em mente que cada corpo responde de uma forma, por isso, respeitar seus limites faz parte do processo. Em caso de dor, desconforto ou dúvidas sobre a melhor forma de melhorar sua flexibilidade, procure a orientação de um profissional de saúde para uma avaliação individualizada!

Referências Bibliográficas

[1] Badaro AFV, Silva AH, Beche D. Flexibilidade versus alongamento: esclarecendo as diferenças. Saúde (Santa Maria). 2007;33(1):32–6.  

[2] Junior AA. Alongamento e flexibilidade: definições e contraposições. Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde. 2007;12(1):54–8 

[3] De Lima TR, Martins PC, Moraes MS, Silva DAS. Association of flexibility with sociodemographic factors, physical activity, muscle strength, and aerobic fitness in adolescents from southern Brazil. Revista Paulista De Pediatria. 2019; 37(2):202–8.  

[4] Silva N de A, Menezes TN de, Melo RLP de, Pedraza DF. Força de preensão manual e flexibilidade e suas relações com variáveis antropométricas em idosos. Revista da Associação Médica Brasileira. 2013 Mar;59(2):128–35. 

[5] Albir GS. Anatomia & 100 alongamentos essenciais para o running. Porto: Quântica Editora; 2019  

[6] Fraga-Maia H, Beck Filho JA, Guimarães L, Silva TH, Machado ACB, Bendicho MTF, Travassos AG, Bonfim C, Pitta AMF, Brito LL, Christovam BP, Martins I. (2020). Orientação para as atividades da vida diária e laboral: Alongamentos musculares: Estudo Condições de Saúde dos Trabalhadores Técnico-Administrativos (Estudo COSTTA). Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas, Universidade do Estado da Bahia.  

[7] César EP, Silva TK da, Rezende YM, Alvim FC. Comparação de dois protocolos de alongamento para amplitude de movimento e força dinâmica. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. 2018;24(1):20–5. 

[8] Kim SH, Kwon OY, Park KN, Jeon IC, Weon JH. Lower Extremity Strength and the Range of Motion in Relation to Squat Depth. Journal of Human Kinetics. 2015;45(1):59–69.